domingo, agosto 01, 2010

O grito rouco da estrada





Oiço o grito rouco da estrada

Tentador em timbre de negro.

Que me chama, puxa e arrasta

como se nada mais tivesse dentro.

Um convite para esventrar planícies,

Cruzar rios, muralhas, pontes, matagais.

Trepar montanhas, roubar paisagens.

Ler marcos, placas e sinais.

Um pôr de sol, uma encosta,

Uma árvore, um cruzamento,

Um sinal, uma curva, uma cegonha

Um rio, uma berma, um jumento.

Deixo para trás a canseira da canícula,

Com o som rouco que me invade.

Combato a noite que me enfeitiça

Com o triste frio da madrugada.

Oiço o grito rouco da estrada

Que me inquieta e rouba o descanso.

Que me chama, tenta, desassossega.

E me relaxa quando por ela avanço.




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